Professor Ronaldo Oliveira
Fazer
leitores capazes de autoria em um contexto escolar é um desafio para
professores em escolas que apresentam um ambiente onde a leitura e a
originalidade são substituídas paulatinamente por cópias e superficialidade.
Apresentar um texto para alunos pode
parecer uma atividade simples, porém se for considerada a forma de construção
de suas significações chega-se à conclusão que é uma atividade complexa e
abrangente. É complexa porque o aluno precisa entender os significados
históricos que uma palavra tem e é abrangente porque alcança não apenas esta
historicidade, mas também o contexto em que foi escrito.
É um diálogo entre o autor e o
leitor, que demonstra a visão de mundo, as ideias já existentes, antecipações
de imagens, relações estabelecidas que constroem conclusões e delimitam
entendimentos.
Na escola os textos produzidos ou
lidos, muitas vezes, não contemplam estes conceitos. O aluno se limita a uma
leitura que não desenvolve suas potencialidades, ficando apenas como um
decodificador de letras ou um mero produtor de cópias. Atividades como a
elaboração de uma crônica ou um relato, podem desenvolver a capacidade no
domínio da lingüística, porém deixa o aluno fora de conceitos como o discurso e
a interatividade que o trabalho poderia produzir.
Por outro lado, o professor
engessado a um currículo que não contempla a diversidade textual, limita-se a
trabalhar com um gênero de texto apenas. O aluno ao invés de produzir textos
diversos e entrar em contato com tipos diferentes de leitura, fica limitado
pelo currículo e a familiarizar-se com apenas uma tipologia, na série ou ano em
que encontra sua vida escolar Isto
demonstra uma visão limitada da potencialidade que o aluno pode desenvolver.
O livro didático que deveria
apresentar de maneira coesa as diversas tipologias textuais, falha em não
apresentar uma proposta progressiva e que trabalhe de maneira interativa com os
alunos. Apresentando, como por exemplo, um tema, desenvolvendo-o e só após um
trabalho consistente partir para outro tema com outras propostas.
Apesar dos desafios existentes e das
limitações históricas que os alunos enfrentam, a escola deve incentivar a
formação de leitores. Isto se dá através de atividades que estimulem os alunos
a lerem de maneira crítica e criativa. Dar um objetivo à leitura é uma das
maneiras eficientes pelo qual podemos incentivar os leitores. Ler por ler não
produz muitos resultados. Se faz necessário dar ao leitor na escola um foco
pelo qual ele possa trabalhar, seja para um debate ou outra proposta qualquer.
Outra maneira pela qual o aluno pode
ter seu potencial de leitor desenvolvido é dar-lhe condições de expressar-se
através dos conhecimentos prévios de leitura que possui. Comparar um texto com
outro, desenvolver comentários que vão além das leituras tradicionais que o
sistema de ensino possui é capacitar o aluno a se tornar crítico e construtor
de outros significados. O texto possui isto, o aluno é seu maior interpretador, por isso um professor bem como a escola deve
dar condições para que se desenvolva estas habilidades.
Quando o aluno consegue se impor
através destas atitudes e diante de um texto ele é capaz de romper com aquilo que já foi dito, ou está
institucionalizado e é tido como “natural” como disse Puccinelli (1994, pág
57), isto é interpretar, é ir além.
Interpretando o aluno consegue ver
nossa sociedade e seus chamamentos de forma mais protagonista. É lendo, é
escrevendo que vai construindo significações, compreendendo a história com que
um texto chegou até ele e as diversas maneiras com que ele pode se relacionar
com o mesmo. E o mais importante disso tudo de maneira
crítica, que não se limita aquilo que está escrito ou o que do que foi dito, mas de maneira criativa com suas
próprias conclusões.
