sábado, 27 de dezembro de 2014

Caminhos da Leitura

Professor Ronaldo Oliveira

            Fazer leitores capazes de autoria em um contexto escolar é um desafio para professores em escolas que apresentam um ambiente onde a leitura e a originalidade são substituídas paulatinamente por cópias e superficialidade.
            Apresentar um texto para alunos pode parecer uma atividade simples, porém se for considerada a forma de construção de suas significações chega-se à conclusão que é uma atividade complexa e abrangente. É complexa porque o aluno precisa entender os significados históricos que uma palavra tem e é abrangente porque alcança não apenas esta historicidade, mas também o contexto em que foi escrito.
            É um diálogo entre o autor e o leitor, que demonstra a visão de mundo, as ideias já existentes, antecipações de imagens, relações estabelecidas que constroem conclusões e delimitam entendimentos.
            Na escola os textos produzidos ou lidos, muitas vezes, não contemplam estes conceitos. O aluno se limita a uma leitura que não desenvolve suas potencialidades, ficando apenas como um decodificador de letras ou um mero produtor de cópias. Atividades como a elaboração de uma crônica ou um relato, podem desenvolver a capacidade no domínio da lingüística, porém deixa o aluno fora de conceitos como o discurso e a interatividade que o trabalho poderia produzir.
            Por outro lado, o professor engessado a um currículo que não contempla a diversidade textual, limita-se a trabalhar com um gênero de texto apenas. O aluno ao invés de produzir textos diversos e entrar em contato com tipos diferentes de leitura, fica limitado pelo currículo e a familiarizar-se com apenas uma tipologia, na série ou ano em que encontra sua vida escolar  Isto demonstra uma visão limitada da potencialidade que o aluno pode desenvolver.
            O livro didático que deveria apresentar de maneira coesa as diversas tipologias textuais, falha em não apresentar uma proposta progressiva e que trabalhe de maneira interativa com os alunos. Apresentando, como por exemplo, um tema, desenvolvendo-o e só após um trabalho consistente partir para outro tema com outras propostas.
            Apesar dos desafios existentes e das limitações históricas que os alunos enfrentam, a escola deve incentivar a formação de leitores. Isto se dá através de atividades que estimulem os alunos a lerem de maneira crítica e criativa. Dar um objetivo à leitura é uma das maneiras eficientes pelo qual podemos incentivar os leitores. Ler por ler não produz muitos resultados. Se faz necessário dar ao leitor na escola um foco pelo qual ele possa trabalhar, seja para um debate ou outra proposta qualquer.      
            Outra maneira pela qual o aluno pode ter seu potencial de leitor desenvolvido é dar-lhe condições de expressar-se através dos conhecimentos prévios de leitura que possui. Comparar um texto com outro, desenvolver comentários que vão além das leituras tradicionais que o sistema de ensino possui é capacitar o aluno a se tornar crítico e construtor de outros significados. O texto possui isto, o aluno é seu maior interpretador,  por isso um professor bem como a escola deve dar condições para que se desenvolva estas habilidades.
            Quando o aluno consegue se impor através destas atitudes e diante de um texto ele é capaz de  romper com aquilo que já foi dito, ou está institucionalizado e é tido como “natural” como disse Puccinelli (1994, pág 57), isto é interpretar, é ir além.

            Interpretando o aluno consegue ver nossa sociedade e seus chamamentos de forma mais protagonista. É lendo, é escrevendo que vai construindo significações, compreendendo a história com que um texto chegou até ele e as diversas maneiras com que ele pode se relacionar com o mesmo.  E  o mais importante disso tudo de maneira crítica, que não se limita aquilo que está escrito ou o que do que  foi dito, mas de maneira criativa com suas próprias conclusões.

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