Professor Ronaldo Oliveira
A
importância do ensino da Língua Portuguesa e seus conteúdos como gramática,
literatura e produção de texto tem se revelado ao longo da história como algo que vai se modificando
conforme as necessidades dos alunos, ora para ingressarem em um nível mais
elevado do ensino, ora para
compreenderem os discursos da modernidade que estão inseridos nos diversos
textos que circulam no cotidiano. O uso da língua materna é importante para
compreendermos o mundo que nos cerca, por isso é necessário termos um domínio
de seus conteúdos e apropriarmo-nos deles para que possamos compreender e fazer
melhor aquilo que a língua nos oferece.
Este domínio não se dá apenas
através do uso correto da gramática, mas através do significado que a gramática
através da língua nos oferece, nos primórdios quando a escola enfatizava a
gramática como um meio pelo qual o aluno conseguiria desenvolver os potenciais
da língua materna esqueceu-se que esta compreensão ia além do domínio das
regras apenas. O aluno ficava acostumado
a análises sintáticas, aplicação de regras quanto ao verbo ou ao sujeito,
prática esta que formalizava apenas o aspecto padrão da língua sem considerar
as diversas faces que a língua nos oferece através das suas manifestações,
sejam regionais e do uso comum no dia a dia. Em sala de aula muitas vezes
consideramos este uso como prioridade podemos incorrer no erro de focar o
ensino apenas no aspecto formal da língua.
Se por um lado o uso da Gramática
era deficitário o uso da Literatura desde o começo do ensino passou informações
que vinham dos nossos colonizadores, seus padrões, estruturas, autores e obras.
Para criarmos uma identidade nacional e dentro de nossos padrões levou-se muito
tempo até que se percebesse a importância de nossos autores e das nossas
produções. A importância dessa autonomia ainda ficava dependente de um padrão
que engessava a leitura de textos, pois só se liam obras que eram consideradas
dentro de um padrão que uma minoria definiu como literatura e se desprezava
outras produções que poderiam ser consideradas relevantes para os alunos
daquela época.
Na produção escrita se priorizava a
redação sem contudo exigir do aluno alguma forma mais aprimorada, apenas se
exigia uma forma mais abrangente com um fundo moral que concordasse com os
padrões da sociedade, estes já pré-definidos pelo professor.
Toda as informações obtidas no
estudo da língua levavam o aluno a almejar o ingresso em alguma instituição de
ensino superior coisa esta bastante cobiçada pela classe que frequentava as
escolas de ensino em épocas anteriores à nossa, tal prática não é muito
diferente dos dias de hoje.
O condicionamento do ensino da
língua materna a estas práticas de conteúdo propedêutico em nossos dias estão
obsoletas, devido outras demandas que nossa sociedade apresenta. Aprender para
apenas dominar conteúdos e ser aprovado em alguma prova não desenvolve no aluno
habilidades que são necessárias para que ele sobreviva em uma sociedade da
informação. Textos de diversos tipos, discursos os mais variados, informações
que pululam em todos os meios de comunicação a uma velocidade incrível precisam
ser entendidos, selecionados e trabalhados de uma maneira eficiente por nossos
alunos para que possam processá-las de maneira eficiente, não apenas decorando
e dominando regras e condicionando-se a contemplar aquilo que as pessoas ditam
como padrões aceitáveis de literatura. Além de tudo isso, temos o enorme
desafio que o professor tem de acompanhar as mídias que sufocam nossos alunos
com informações as mais variadas e de conteúdo de entretenimento que muitas
vezes absorvem tanto a atenção do aluno que fica difícil a concentração do
mesmo para a produção escrita ou a uma leitura mais complexa e profunda.
Portanto, diante de tais desafios
fica evidente que a significação das palavras: Gramática, Literatura e Produção
de Texto criam um novo desafio para aqueles que ensinam a Língua Portuguesa em
nossos dias, o professor deve se conscientizar que deve contextualizar para que
desenvolva em nossos alunos não apenas habilidades acadêmicas mas também
sociais e estes sejam gerentes da sua formação e aprimoramento.

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