Professor Ronaldo Oliveira
O
ensino da Língua Portuguesa contemporânea é muito mais desafiador do que da
maneira como a ensinávamos há algum tempo atrás. Se o antigo modelo levava
professor e aluno a um conteúdo baseado na gramática e produção de textos já
pré-estabelecidos, com a sisudez de um padrão rígido, agora temos diversidade
de textos e manifestações que desafiam tanto ao professor quanto ao aluno, em
acompanhar diversas mudanças e entender estas manifestações da nossa língua
materna.
As mudanças muitas vezes não são bem
vistas, por isso há, por parte de muitos profissionais, resistências em relação
a novos métodos de ensino. Podemos tomar como exemplo, o uso de diversos
gêneros textuais em sala de aula. Estes gêneros, muitas vezes, causam
estranhamento por parte daqueles que, acostumados com os textos canônicos, se
deparam com um novo método de entender e fazer a aproximação do aluno com o
conhecimento da língua e suas variedades. Esta diversidade é produto das
transformações e da diversificação dos meios de comunicação analógicos e
digitais que em contrapartida com os meios impressos, segundo (Chartier, 1997:
Darnton; Burke, 2010), produzem mudanças significativas nas maneiras de ler, de
produzir e de fazer circular textos nas sociedades.
Tais mudanças não afetam somente os
profissionais da área, mas também os alunos. Não basta apenas dominar os
conteúdos do ensino da Língua Portuguesa, o estudante agora precisa desenvolver
habilidades. Habilidades estas que o levarão a transpor uma barreira há muito
tempo construída em currículos propedêuticos. A contemporaneidade exige do
aluno um letramento múltiplo, crítico e protagonista através de textos
multissimióticos. Tarefa esta nada fácil, se o aluno não conquistar confiança
em saber aprender. Isto implica, inclusive, no abandono do imediatismo que os
textos multimídia oferecem e no desenvolvimento de uma reflexão crítica da
leitura.
A escola agora se torna um ambiente
onde a leitura e produção de textos contêm uma variedade e complexidade que,
por vezes, se torna quase impossível a limitação do conteúdo a ser aprendido.
Não se pode limitar o ensino a textos conhecidos como reportagens, entrevistas
ou publicidades, mas ir além, para onde a diversidade e a criatividade norteiam
as produções textuais. O objetivo é atingir a enorme variedade dos textos que
circulam no cotidiano do aluno, que em muitos casos não são valorizados e até
ignorados.
Estas habilidades tão requeridas por
parte do sistema de ensino, são o reflexo da chamada globalização, que agora
exige uma adaptação aos novos rumos que a sociedade toma. A unificação de
diversas culturas, pessoas e países.
Toda esta trama de novos conceitos
tem o objetivo de preparar indivíduos globais para um mercado único, no qual se
espera o domínio de aptidões que torna o indivíduo habilitado neste novo mundo
globalizado. Como decorrência disto, também encontramos os PCNs e as novas
propostas curriculares nos estados.
Superar tamanhas exigências só é
possível através de um letramento eficiente. Como disse Rojo (2002) “Falar na
formação do leitor cidadão é justamente não olhar só uma das faces da moeda; é
permitir a nossos alunos a confiança na possibilidade e as capacidades
necessárias ao exercício pleno da compreensão”. Este exercício pleno, e esta compreensão
formam o aluno de maneira cidadã, integral e plena. Também dá a capacidade de
olhar de maneira crítica, sabendo interpretar das diversas formas que as
leituras se apresentam.
Portanto, a contemporaneidade do
ensino da Língua Portuguesa faz exigências, tanto ao professor, quanto ao
aluno, a adaptações que exigem mudanças significativas na maneira de ensinar,
como na maneira de aprender. Estas mudanças são necessárias para a adaptação e
sobrevivência do ensino da Língua neste mundo tão complexo e que vai a cada dia
se enchendo de novos significados.
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário