quarta-feira, 3 de julho de 2013

O Ensino Contemporâneo da Língua


Professor Ronaldo Oliveira

            O ensino da Língua Portuguesa contemporânea é muito mais desafiador do que da maneira como a ensinávamos há algum tempo atrás. Se o antigo modelo levava professor e aluno a um conteúdo baseado na gramática e produção de textos já pré-estabelecidos, com a sisudez de um padrão rígido, agora temos diversidade de textos e manifestações que desafiam tanto ao professor quanto ao aluno, em acompanhar diversas mudanças e entender estas manifestações da nossa língua materna.
            As mudanças muitas vezes não são bem vistas, por isso há, por parte de muitos profissionais, resistências em relação a novos métodos de ensino. Podemos tomar como exemplo, o uso de diversos gêneros textuais em sala de aula. Estes gêneros, muitas vezes, causam estranhamento por parte daqueles que, acostumados com os textos canônicos, se deparam com um novo método de entender e fazer a aproximação do aluno com o conhecimento da língua e suas variedades. Esta diversidade é produto das transformações e da diversificação dos meios de comunicação analógicos e digitais que em contrapartida com os meios impressos, segundo (Chartier, 1997: Darnton; Burke, 2010), produzem mudanças significativas nas maneiras de ler, de produzir e de fazer circular textos nas sociedades.
            Tais mudanças não afetam somente os profissionais da área, mas também os alunos. Não basta apenas dominar os conteúdos do ensino da Língua Portuguesa, o estudante agora precisa desenvolver habilidades. Habilidades estas que o levarão a transpor uma barreira há muito tempo construída em currículos propedêuticos. A contemporaneidade exige do aluno um letramento múltiplo, crítico e protagonista através de textos multissimióticos. Tarefa esta nada fácil, se o aluno não conquistar confiança em saber aprender. Isto implica, inclusive, no abandono do imediatismo que os textos multimídia oferecem e no desenvolvimento de uma reflexão crítica da leitura.
            A escola agora se torna um ambiente onde a leitura e produção de textos contêm uma variedade e complexidade que, por vezes, se torna quase impossível a limitação do conteúdo a ser aprendido. Não se pode limitar o ensino a textos conhecidos como reportagens, entrevistas ou publicidades, mas ir além, para onde a diversidade e a criatividade norteiam as produções textuais. O objetivo é atingir a enorme variedade dos textos que circulam no cotidiano do aluno, que em muitos casos não são valorizados e até ignorados.
            Estas habilidades tão requeridas por parte do sistema de ensino, são o reflexo da chamada globalização, que agora exige uma adaptação aos novos rumos que a sociedade toma. A unificação de diversas culturas, pessoas e países.
            Toda esta trama de novos conceitos tem o objetivo de preparar indivíduos globais para um mercado único, no qual se espera o domínio de aptidões que torna o indivíduo habilitado neste novo mundo globalizado. Como decorrência disto, também encontramos os PCNs e as novas propostas curriculares nos estados.
            Superar tamanhas exigências só é possível através de um letramento eficiente. Como disse Rojo (2002) “Falar na formação do leitor cidadão é justamente não olhar só uma das faces da moeda; é permitir a nossos alunos a confiança na possibilidade e as capacidades necessárias ao exercício pleno da compreensão”. Este exercício pleno, e esta compreensão formam o aluno de maneira cidadã, integral e plena. Também dá a capacidade de olhar de maneira crítica, sabendo interpretar das diversas formas que as leituras se apresentam.

          Portanto, a contemporaneidade do ensino da Língua Portuguesa faz exigências, tanto ao professor, quanto ao aluno, a adaptações que exigem mudanças significativas na maneira de ensinar, como na maneira de aprender. Estas mudanças são necessárias para a adaptação e sobrevivência do ensino da Língua neste mundo tão complexo e que vai a cada dia se enchendo de novos significados. 

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